Foi, na plenitude do tempo que Deus 'trouxe seu Unigênito para o
mundo, feito de uma mulher'; através do poder do Altíssimo,
ofuscando-na. Ele, mais tarde, foi manifestado para os pastores; para
o devoto Simeão; para Ana, a profetisa; e
para 'todos que esperaram pela redenção em Jerusalém'.
Quando
estava no tempo devido, para executar seu oficio sacerdotal, Ele foi
manifestado para Israel; pregando o evangelho do reino de Deus, em
toda região, e em toda cidade. E, por um tempo, foi glorificado por
todos que reconheceram que Ele 'falava como nunca homem algum
falara'; que 'Ele falava como alguém que tinha autoridade',
com toda a sabedoria e poder de Deus. Ele foi manifestado, através de
inumeráveis 'sinais e maravilhas, e as obras poderosas que fez',
assim como por toda sua vida; sendo o único nascido de uma mulher,
'que não conheceu pecado', que, desde seu nascimento, até sua
morte, fez 'todas as coisas boas'; fazendo continuamente,
'não a sua vontade, mas a vontade Daquele que o enviara'.
Afinal, 'observe o Cordeiro de Deus, tirando os pecados do mundo!'.
Esta foi a mais gloriosa manifestação de si mesmo, do que qualquer
uma que ele tenha feito antes. Quão maravilhosamente ele foi
manifestado aos anjos e homens, quando 'ele foi ferido por nossas
transgressões'; quando ele 'carregou todos os nossos pecados em
seu próprio corpo no madeiro'; quando, fez 'um sacrifício,
expiação e penitência pelos pecados de todo o mundo, através do
sacrifício único de si mesmo, uma vez oferecido', quando ele
clamou: 'Está terminado; e tombou sua cabeça; e entregou seu
espírito'. (Lucas 23:46) Pai, nas tuas mãos, eu entrego o meu
espírito. E, havendo dito isto, expirou'. Nós necessitamos apenas
mencionar algumas manifestações mais adiante, -- sua ressurreição dos
mortos; sua ascensão aos céus, na glória que ele teve antes do mundo
existir; e seu derramar do Espírito Santo no dia de Pentecostes; ambos
belamente descritos naquelas bem conhecidas palavras do salmista:
(Salmos 68:18) 'Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro,
recebeste dons para os homens, e até para os teus inimigos, para que
o Senhor Deus habitasse em meio' ou 'neles''.
’Para que o Senhor possa habitar neles': Isto se refere à ainda
mais uma manifestação a mais do Filho de Deus; mesmo à manifestação
interior de si mesmo. Quando ele falou disto para seus Apóstolos,
pouco antes de sua morte, um deles imediatamente perguntou:
'Senhor, como tu irás te manifestar a nós e não ao mundo?' --
(João 14:22) 'Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): Senhor, de
onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo?'. Por nos
habilitar a crer em seu nome. Porque ele é, interiormente manifestado
a nós, quando nós somos capazes de dizer com confiança: 'Meu
Senhor, e meu Deus!'. Então, cada um de nós pode corajosamente
dizer: 'A vida que eu agora vivo, eu vivo pela fé no Filho de Deus,
que me amou e deu a si mesmo por mim'. (Gálatas 2:20)
'Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive
em mim; e a vida que eu agora vivo na carne, eu a vivo na fé do Filho
de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim'. E é
por assim manifestar a si mesmo em nossos corações que ele
efetivamente 'destrói as obras do diabo'.
Como o Senhor faz isto; de que maneira, e através de que passos,
ele verdadeiramente as destrói, nós iremos agora considerar:
Primeiro, como satanás começou sua obra em Eva, envenenando-a
com a descrença, então, o Filho de Deus começa sua obra no homem, nos
capacitando a crer Nele. Ele abre e ilumina os olhos de nosso
entendimento. Fora da escuridão, ele ordena à luz que brilhe, e
arranca o véu que o 'deus deste mundo' tinha espalhado sobre
nossos corações. E nós, então, não através de uma corrente de
raciocínio, mas através de uma espécie de intuição; através de uma
visão direta de que 'Deus estava em Cristo, reconciliando o mundo
para si mesmo; não imputando a eles suas primeiras transgressões';
não as imputando a mim. Naquele dia, 'nós saberemos que somos de
Deus'; filhos de Deus pela fé; 'tendo redenção, através do
sangue de Cristo, mesmo o perdão dos pecados'. 'Sendo
justificado pela fé, nós teremos lugar com Deus, através de nosso
Senhor Jesus Cristo'; -- aquela paz, que nos capacita, em todas as
condições também a estarmos satisfeitos; que nos livra de todas as
dúvidas desconcertantes; de todos os medos tormentosos; e, em
particular, de todo 'medo da morte, por meio do qual, nós estivemos
toda nossa existência, sujeitos à escravidão'.
Segundo. O Filho de Deus golpeia a raiz da grande obra do
diabo, -- o orgulho; fazendo com que o pecador se humilhe diante do
Senhor, e abomine a si mesmo, de certo modo, se reduza ao pó e cinzas.
Ele golpeia na raiz da vontade própria; capacitando o pecador
humilhado a dizer em todas as coisas: 'Não como eu quero, mas como
Tu queres'. Ele destrói o amor ao mundo; libertando aqueles que
crêem Nele de 'todo desejo tolo e danoso'; do 'desejo da
carne; do desejo dos olhos; do orgulho da vida'. Ele os poupa de
buscar, ou de esperar encontrar felicidade em alguma criatura. Como
Satanás mudou o coração do homem do Criador para a criatura; então, o
Filho de Deus mudou seu coração, da criatura para o Criador. Assim
sendo, manifestando a si mesmo, Ele destrói as obras do diabo;
restaurando o culpado, rejeitado de Deus, para seu favor, perdão e
paz; o pecador, em quem não habita coisa boa, para o amor e santidade;
o pecador oprimido e miserável, para a alegria inexprimível, para a
felicidade real e substancial.
Terceiro. O Filho de Deus não destrói toda a obra do diabo no
homem, por quanto tempo ele permanece nesta vida. Ele ainda não a
destrói a fraqueza corpórea, doença, dor, e milhares de enfermidades,
próprias da carne e sangue. Ele não destrói toda aquela fraqueza de
entendimento, que é a conseqüência natural da alma habitar um corpo
corruptível; de modo que 'a ignorância e o erro', ainda,
'pertencem à humanidade'. Ele nos confia apenas uma porção muito
pequena do conhecimento, em nosso estado presente; a fim de que nosso
conhecimento não possa interferir com nossa humildade, e novamente
possamos nos sentir como deuses. É para remover de nós toda tentação
para o orgulho, e todo pensamento de independência - (que é a mesma
coisa que os homens em geral tão sinceramente cobiçam, sob o nome de
liberdade) - que ele nos deixa rodeados com todas essas enfermidades;
particularmente, fraqueza de entendimento; até que a sentença tome
lugar: 'Tu és pó, e ao pó retornarás!'.
Quarto. O erro, a dor, e todas as doenças corpóreas cessarão:
Todas essas serão destruídas através da morte. E a própria morte,
'o último inimigo' do homem, deverá ser destruída na ressurreição.
No momento em que ouvirmos o arcanjo e a trompa de Deus, 'então,
será cumprido o que está escrito: a morte será tragada na vitória'.
Este corpo 'corruptível deverá se tornar incorrupto'; esse
corpo 'mortal deverá se tornar imortal'; e o Filho de Deus,
manifestado nas nuvens do céu, deverá destruir esta última obra do
diabo!
Quinto. Aqui, então, nós vemos, em uma luz mais clara e
forte, o que é a religião verdadeira: A restauração do homem, através
Dele que esmaga a cabeça da serpente [Gênesis 3:15]; a
restauração de tudo que a velha serpente o privou; a restauração, não
apenas para o favor, mas, igualmente, para a imagem de Deus;
implicando, não meramente no livramento do pecado, mas sendo
preenchido com a plenitude de Deus. Evidentemente, se nós atendermos
às considerações precedentes, de que nada menos do que isto seja
religião cristã. Todas as demais coisas, se contrárias ou aparentes,
estão completamente longe do alvo. Mas que paradoxo é este! Quão
pouco, ela é entendida no mundo cristão; sim, nessa época erudita,
onde é tido por certo que o mundo é mais sábio do que nunca foi antes,
desde o início!
Em meio a todas as nossas descobertas, quem descobriu isto? Quão
poucos, mesmo entre os cultos ou incultos! E, ainda assim, se nós
cremos na Bíblia, quem poderá negá-la? Quem poderá duvidar dela? Ela
está na Bíblia, do começo ao fim, em uma corrente unida; e o argumento
de cada parte dela, com todas as outras, é, propriamente a analogia da
fé. Cuide de não tomar qualquer coisa; ou qualquer coisa menos do que
isto por religião! Nem coisa alguma a mais: Não imagine que uma forma
exterior, uma sucessão de deveres, públicos ou privados, seja
religião! Não suponha que a honestidade, a justiça, ou o que quer que
seja chamado de moralidade (embora excelente em seu ligar) seja
religião! E menos do que tudo, não fantasie que a ortodoxia, a opinião
correta (vulgarmente chamada de fé) seja religião. De todas as
fantasias religiosas, esta é a mais vã; a que toma feno e restolho por
ouro, atirado ao fogo!
Sexto. Não tome, nem mais nem menos, do que isto, como sendo a
religião de Jesus Cristo! Não tome parte dela, como sendo o todo! O
que Deus reuniu, não separe. Não aceite nada menos do que 'a fé que
é operada pelo amor'; toda santidade interior e exterior, como
religião Dele. Não esteja satisfeito com qualquer religião, que não
implique na destruição de todas as obras do diabo; ou seja, de todos
os pecados. Nós sabemos, que a fraqueza de entendimento, e milhares de
enfermidades irão permanecer, enquanto restar este corpo corruptível;
mas o pecado não precisa permanecer: Esta é a obra do diabo,
eminentemente assim chamada, a que o Filho de Deus foi manifestado
para destruir nesta vida atual. Ele é capaz; ele está desejoso de
destruí-la agora, em todos que crerem Nele. Apenas não se restrinja a
si mesmo! Não desconfie de seu poder ou de seu amor! Coloque sua
promessa à prova! Ele tem falado: E ele não está pronto igualmente
para executar? Apenas 'venha corajosamente para o trono da graça',
confiando em sua misericórdia; e você se certificará que 'Ele salva
ao extremo todos aqueles que vêm para Deus, através Dele!'.
[Editado por Amber Powers, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
Tradução: Izilda Bella
