
A verdadeira
espiritualidade manifesta-se nos desejos dominantes. Desejos presentes e
profundamente arraigados, suficientemente poderosos para motivar e
controlar a vida.
1. Desejo de ser santo,
antes que ser feliz
2. Desejo de ver Deus honrado com sua vida, mesmo que isto o leve a
sofrer desonra ou perda temporária. O Homem desses ora : “santificado
seja o teu nome” e acrescenta : “a qualquer custo Senhor”. Ele não tem
necessidade de debater a matéria com seu coração; não há o que se
debater. Suspira ofegante pela glória de Deus, como alguém asfixiado
fica ofegando pelo ar.
3. Deseja levar a cruz, ou seja, estar ligado à pessoa de Cristo,
submisso a seu senhorio e obediente a sua vontade.
4. Desejo de ver todas a coisas do ponto de vista de Deus. Atribui a
todas as coisas o mesmo valor que é atribuído por Deus. Seu olhar não
fica na superfície, mas penetra até o verdadeiro sentido das coisas.
5. Desejo de morrer na retidão do que viver no erro. Nunca admite
negociar qualquer fundamento do cristianismo.
6. Desejo de ver outros cristãos acima Dele e fica feliz quando vê
outros sendo promovidos e ele deixado de lado. Não há inveja em seu
coração; quando seus irmãos são honrados, fica feliz.
7. Desejo de fazer julgamentos segundo a eternidade e não segundo os
valores temporais. Consequentemente prefere ser útil a ser famoso,
servir a ser servido.
Se Deus nos separou para ser objeto de Sua graça, podemos esperar que
ele nos honre com mais estrita disciplina e com sofrimento maior do que
os outros.
O escultor não usa um estojo de manicuro para transformar o mármore
informe e rude num espécime de beleza. A serra, o martelo e o cinze são
instrumentos cruéis, mas sem eles, a tosca pedra será sempre destituída
de forma e beleza.
Para fazer em nós a suprema obra de sua graça, Ele vai tirar do nosso
coração tudo aquilo que mais amamos. Tudo aquilo que nos leva a
confiarmos em nós mesmos. Cinzas amontoadas jazerão onde nossos tesouros
mais preciosos costumavam estar.
O que escrevo aqui não é nada original, todas as gerações de verdadeiros
cristãos observaram esta verdade. No entanto é necessária dizê-lo a esta
geração de “cristãos”, pois o tipo da mensagem atual não constitui nada
tão sério e difícil como isto. Ao que parece, a busca do cristão moderno
é de paz mental, alegria e apreciável prosperidade material,
introduzidas como prova do favor divino.
Contudo, alguns compreenderão isso, ainda que seja pequeno número deles,
e eles continuarão o sólido núcleo de santos praticantes tão seriamente
necessário nesta hora grave, para que o verdadeiro cristianismo
sobreviva.
“Deus nos chamou para o lado de Cristo”, escreveu um discípulo, “e agora
o vento que está dando no rosto de Cristo nesta terra; e vendo que
estais com Ele, não podeis esperar abrigo a sotavento ou do lado
ensolarado da escarpa”
A bela sensibilidade dessas palavras no diz que o vento está soprando no
rosto de Cristo, e porque o seguimos, também temos o vento soprando em
nosso rosto. Não devemos esperar menos.
O anseio pelo abrigo ensolarado é natural, ninguém gosta de andar no
vento frio. Contudo os verdadeiros cristãos vem tendo que marchar com o
vento dando em seus rosto através dos séculos.
O homem criou uma outra mensagem, oferecendo as pessoas o lado
ensolarado da escarpa, na avidez de se conseguir novos adeptos. Elas
acreditam em nós, e o primeiro vento frio as envia arrepiada a algum
conselheiro para ver o que está errado; e essa é a última notícia que
temos de muitas delas.
Os ensinamentos de Cristo revelam que ele é realista no melhor sentido
da palavra. Em nenhuma parte do evangelho encontramos algo que seja
visionário ou exageradamente otimista. Ele dizia toda a verdade a seus
ouvintes e deixava que eles tomassem suas decisões. Ele podia
entristecer-se com a retirada de um interessado que não podia enfrentar
a verdade, nunca porém corria atrás dele para tentar ganhá-lo mediante
róseas promessas. Ele queria que os homens o seguissem sabendo o preço,
ou, se não, deixava que seguissem os seus caminhos.
Isso é simplesmente dizer que Cristo é honesto. Ele nunca será popular
entre os que se perdem e sabe que seus seguidores não precisam esperar
popularidade. O vento que sopra em seu rosto será sentido por todos que
viajam com Ele.
Atender ao real chamado de Cristo muda de fato o pecador, mas não muda o
mundo. O vento continua soprando em direção ao inferno, e o homem que
caminhar na direção oposta terá o vento batendo no rosto. É importante
considerarmos esta realidade espiritual. Se as insondáveis riquezas de
Cristo não merecem que por elas soframos, é bom saber disso agora e
parar de brincar de religião.
O livro de Atos é a história de homens e mulheres que expunham o rosto
ao rijo vento da perseguição e do prejuízo, e seguiam a Cristo a
qualquer preço. Sabiam que o mundo odiou Cristo, e os odiava por causa
Dele; mas mantiveram-se inabaláveis.
A fé vê de longe a vitória de Cristo e se dispõe a padecer qualquer
coisa para ser participante dela. A incredulidade não está segura de
coisa alguma, exceto que odeia o vento e aprecia a costa ensolarada da
colina. Cada pessoa terá que decidir-se sozinha, se poderá arcar ou não
com o terrível fausto da incredulidade.
