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Perdoa as Nossas Dívidas

by Pastor Estêvão Canfield

A oração que Jesus nos ensinou a orar é uma oração completa. Ela abrange todas as áreas que precisam ser cobertas em nossa vida.

Jesus tinha um propósito ao ensinar aos seus discípulos esssa oração. Primeiro vacinar os seus discípulos contra o estilo de vida religioso, hipócrita dos religiosos de sua época.

Segundo ele queria ensinar que a vida com Deus é simples e está embasada em princípios sólidos que precisam ser praticados no nosso dia-a-dia.

Nós temos a tendência de "enfeitar o pavão", como se diz no Brasil, e com isso estamos muitas vezes fugindo do centro de nossa responsabilidade e compromisso com o Senhor. Por nossa própria índole queremos o místico, o espetacular e com isso desprezamos as coisas básicas e simples da nossa vida com Cristo.

A parte mais difícil de orar na oração do Senhor é sem dúvida a que diz a respeito ao perdão. Porque perdoar não é fácil? Porque muitas vezes nos encontramos presos na armadilha dos ressentimentos e mágoas que nos escravizam e nos deixam a margem de desfrutar da plenitude da graça.

No ato de perdoar temos a oportunidade de exercitar a graça que um dia nos foi oferecida em Cristo: Perdoarmos assim como fomos perdoados. A nossa tendência humana está muito mais inclinada em julgar as pessoas do que oferecer graça e perdão. Este, sem dúvida é o motivo pelo qual tenhamos tanta dificuldade em aceitar graça, e tenhamos também tanta dificuldade em perdoar. Jesus foi bem objetivo e direto: "Quem não perdoa não pode ser perdoado." Exercer o perdão é deixar de lado as nossas reivindicações, a nossa lógica, os nossos argumentos e a partir de então exercitar o sobrenatural. A natureza da graça é sobrenatural, não se explica pela razão, mas se aceita pela fé e também se pratica pela fé. O pecado limitou muita a nossa compreensão sobre certos assuntos que são de cunho essencialmente espiritual. Como entender que o amor de Deus é incondicional? E que a graça é favor imerecido, impossível de ser recompensado e que nunca pode ser entendido como uma dívida? Quanto teríamos de pagar pelo que Jesus fez por nós na cruz do calvário?

Como disse Lutero no seu prefácio a epístola de Paulo aos Romanos: "A graça é uma transação de Deus com o homem, absolutamente independente da questão de merecer ou não merecer. Graça é tratar a pessoa graciosamente sem a mínima referência aos seus méritos. Graça é amor infinito expressando-se em bondade infinita."

Aceitar a graça implica necessáriamente em exercitar a graça em perdão e amor. Aceitar o perdão de Deus significa perdoar o outro como Deus perdoa, e aqui terminam as nossas reivindicações e argumentos.

 

 
 
 
 
 
 
 
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